Monte Alegre


     História


Foram os religiosos capuchos da Piedade que deram início a colonização do atual município de Monte Alegre. Iniciaram o trabalho de catequese à margem esquerda do rio Amazonas, com os índios da aldeia de Gurupatuba, criaram um núcleo, a partir do qual foi constituída a freguesia de São Francisco de Assis. Em 1758, após a expulsão dos jesuítas, o governador Francisco Xavier de Mendonça obedecendo a política adotada pelo Marquês de Pombal, que expulsava todos os jesuítas de Portugal e de suas colônias, e em cumprimento a uma determinação real, deixou Belém em direção ao rio Negro, para acertar os limites das terras dos reinos de Portugal e Espanha.


Foto : Imagens históricas da cidade de Monte Alegre


 E também cumprindo outra determinação, de 6 de junho de 1755, para que erigisse em Vila todas as povoações que julgasse merecer essa elevação, assim deu à freguesia de São Francisco de Assis, em 27 de fevereiro, o predicamento de Vila, com a denominação de Monte Alegre. Como vila, Monte Alegre teve um progresso no período colonial. Em 1824, houve na região o primeiro grande movimento armado após a Independência, envolvendo as vilas de Santarém e Monte Alegre.



Foto : Imagem Histórica de Monte Alegre 



O caso é que a Independência não contentara, de uma vez por todas, aos nacionalistas. É que a Província do Pará passara a pertencer ao Brasil, mas o mando continuava em mãos dos portugueses, que eram donos de toda a economia local. A Comarca de Monte Alegre teve sua criação datada de 5 de agosto de 1873 (lei provincial nº 772). Também no Império foi elevada à categoria de cidade, a 15 de março de 1880 (lei provincial nº 970). Em 1891 realizou-se o primeiro pleito municipal sob o novo regime, sendo eleito como intendente Augusto Teodorico Nunes. Pelos quadros da divisão territorial para o período de 1936-1937, o Município está constituído de dois distritos: Monte Alegre e Maicuru. Em face ao Decreto-Lei nº 3.131, de 31 de outubro de 1938, parte da zona de Tapará, que pertencia a Santarém, foi incorporada a Monte Alegre. Na divisão territorial, em vigor no período de 1939-1943, o Município apresenta-se com um único distrito composto de três zonas: Monte Alegre, Maicuru e Costa do Tapará.


Foto : Imagem de Monte Alegre atualmente.

Nas divisões territoriais, estabelecidas pelo Decreto-Lei nº 4.505, de 30 de dezembro de 1943, para o período de 1944-1948, o Município constituído apenas do distrito-sede e, dessa forma, permanece até hoje.





              Monte Alegre e o Plebiscito do Estado do Tapajós – 2011


A cidade de Monte Alegre, assim como todas as outras que fazem parte do que será o Estado do Tapajós, teve uma votação totalmente positiva para a criação do mesmo. Com 27.023 votos a favor e apenas 1.400 votos contra, a população expressa o grande sentimento de compor esse que será o mais novo Estado do Brasil.











Aspectos Geográficos



          O município de Monte Alegre pertence a mesorregião do Baixo Amazonas e à microrregião Santarém.

           A sede municipal apresenta as seguintes coordenadas geográficas: 02º 00’ 15”S e 54º 04’ 45”W Gr. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2018, era de 59.900 pessoas.







   LIMITES



Ao Norte - Município de Almeirim 



A Leste - Municípios de Almeirim e Prainha


Ao Sul - Municípios de Prainha e Santarém


A Oeste - Município de Alenquer
ÁREA - 18.152,560 km2 de área territorial.


Altitude - 38 metros acima do nível do mar.







Cultura

Dois eventos marcam o calendário do município: o Festival da Mandioca, realizado todo mês de novembro, e o círio de São Francisco, padroeiro dos montealegrenses.


 Círio de São Francisco

 Foto : Fiéis reunidos na igreja matriz.


A procissão acontece, geralmente, no penúltimo sábado de setembro e mobiliza milhares de romeiros locais e de cidades vizinhas. A programação religiosa conta também com uma movimentação fluvial, pelo Gurupatuba, e outra terrestre, percorrendo algumas ruas da cidade da Estação Hidroviária à Igreja Matriz do padroeiro. O círio de São Francisco faz parte do patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado. O dia de São Francisco de Assis é comemorado no dia 4 de outubro.


Foto : Círio de São Francisco.

Para os católicos, a festa representa fé e devoção ao santo, considerado um dos mais importantes da Igreja Católica pelo exemplo de humildade através de sua história.






FESTIVAL DA MANDIOCA


   Desde o ano de 2005 o Colégio Fernando Henrique, vem promovendo o Festival da Macaxeira, hoje, já conhecido como Festival da Mandioca, visto que, ao longo dos anos, em consenso entre os membros da Família Fernando Henrique, passou a ser chamado pelo nome em apreço.

   Este Festival surgiu da proposta da professora de História, Aline Pingarilho, motivada pela observação da necessidade de promover o resgate da cultura local, no a caso a mandioca , produto muito conhecido entre nós, de valor nutritivo e econômico na região. Dela são produzidos alimentos comuns à mesa do paraense que também são a base do sustento econômico de muitas famílias, já que parte da população montealegrense pratica a agricultura como atividade econômica. Além disso, a mandioca é tema de uma das mais belas lendas amazônicas e cabe à escola contribuir para a preservação desse patrimônio cultural, pois é nossa cultura que nos dá enfoque no cenário nacional e mundial.


Foto : Participantes Festival da Mandioca

  Nos primeiros três anos de realização do Festival, o objetivo esteve voltado para a divulgação e promoção do valor nutritivo da mandioca. Somente a partir da quarta edição, o valor artístico/cultural começou a encontrar destaque na programação. Nesse momento são produzidas músicas inéditas e exclusivas para o festival com a participação do compositor montealegrense Rigley Jorge Correia, que até hoje permanece contribuindo para o aprimoramento da qualidade do espetáculo que tem se tornado "A ópera cabocla" do Colégio Fernando Henrique.

   Desde sua origem, nossa Escola aproveita o último mês do ano para reunir sua família escolar e a do entorno para celebrar o Festival da Mandioca que vem crescendo a cada ano em grande proporção , mostrando que o trabalho de conscientização que fazemos no sentido de preservarmos nossa raízes, está sendo aceito e ampliado em todos os setores montealegrenses.






Pontos Turísticos

As pinturas rupestres, as cachoeiras e as formações geológicas tornam Monte Alegre um dos locais mais completos de ecoturismo da Amazônia. 


         As Cavernas

Dentre as inúmeras cavernas que não apresentam o registro de pinturas polícromas, destacam-se as do Labirinto e Miritiepé, localizadas na serra do Paituna, a cerca de 40 km por via rodoviária. A gruta do Labirinto às proximidades da serra do Pilão sendo formada por um verdadeiro complexo de grutas ou cavernas.Possui 90 m de extensão e há várias entradas e salões, além de informações sobre fauna e flora, locais.


Turistas visitando uma das cavernas mais lindas do município de Monte Alegre.(imagem da internet)

Outro ponto que merece destaque, por sua beleza e mistério, é o piso superior da Caverna do Labirinto, que apresenta um belo portal, a cerca de 30 m, na encosta da serra, bem como um exótico salão, com meio teto iluminado por uma tênue luz azulada. Os visitantes mais arrojados, e dispondo de equipamento especial, podem atingir o topo da serra a partir da entrada existente na base, através de caminhos escuros e Labirintosos, percorrendo mais de 100 m pelo interior da serra do Paituna.

Caverna da Pedra Pintada

É o mais importante "atrativo histórico-cultural" já identificado na região, a Caverna da Pedra Pintada vem sendo objeto de estudo de inúmeros pesquisadores brasileiros e estrangeiros, os quais sempre procuram enfocar o registro, a localização e a descrição das pinturas rupestres, na gruta. A Caverna possui cerca de 120m de altura em relação ao rio Amazonas. É bastante ventilada, bem iluminada, com acesso fácil, através de um ramal de estrada que leva diretamente à entrada principal. Em suas paredes há painéis com pinturas rupestres. A partir de 1991, a gruta foi alvo de estudos específicos através da antropóloga norte-americana Dra. Anna Roosevelt, que realizou escavações estratigráficas e estudos arqueobiológicos, complementados por datações radiocarbônicas.


Foto : Caverna da Pedra Pintada.


Esses trabalhos permitiram, à pesquisadora, documentar as principais fases ocupacionais hipotéticas para a região, possibilitando um melhor entendimento da evolução das culturas que ali se desenvolveram, desde a chegada dos primeiros habitantes até aos dias atuais. Os trabalhos realizados por Anna Roosevelt na Gruta da Pedra Pintada, representam a primeira informação, cientificamente comprovada, sobre a presença de Paleoíndios na região amazônica, indicando uma associação dos mesmos com a arte rupestre; mostram, também, as similaridades entre esses sítios Paleoíndios e outros já estudados em diferentes lugares, nas Américas.




Os resultados desses trabalhos sugerem que as pinturas rupestres de Monte Alegre podem representar algumas das mais antigas já identificadas no mundo e parte do estágio Paleolítico da arte rupestre. Assim, no município estão documentadas as melhores evidências acerca dos povos mais antigos que habitaram a região, provavelmente no final do Pleistoceno e início do Holoceno (épocas geológicas que compõem o período quaternário): os Paleoíndios Amazônicos.


Caverna Itatupaóca

         A gruta de Itatupaoca, com 56m de desenvolvimento, está localizada na encosta sul da serra do Ererê, a cerca de 37 Km da cidade de Monte Alegre. Está aproximadamente a 120m de altitude em relação ao rio Amazonas.


Foto : Caverna Itatupaóca
         

        A entrada da Gruta Itatupaoca mede cerca de 9,5m de altura, dividida na metade inferior por uma trave rochosa, resíduo da ação erosiva. A forma majestosa de entrada desta gruta chamou a atenção de Wallace (1939) que a descreveu e de Katzer (1933) que a desenhou. Katzer (1933) comentou a origem do nome indígena Itatupaoca (casa rochosa de Deus ou igreja de pedra) e descreveu o primeiro salão, com 32m de desenvolvimento.


Foto : Caverna Itatupaóca

 Quanto a sua gênese, este autor atribuiu à ação erosiva de fontes que ali brotaram associadas ainda a friabilidade e permeabilidade da rocha.




Mirantes de Monte Alegre

    
    Serra do Ererê


         Um dos mais importantes acidentes geográficos da região. A serra do Ererê está localizada a oeste da cidade, distante 12 km da mesma, em linha reta. Apresenta uma forma alongada, com direção geral N60°E, possuindo 4 km de comprimento, largura de um a 1,5 km e altitude máxima de 220 m, sendo parte integrante do anel de serras que circunda a planície do Ererê. O perfil é irregular e acidentado, exibindo topo plano e encostas abruptas, chegando a formar paredões com mais de 100 m de altura. Os solos são rasos e cascalhentos, enquanto que a vegetação é dominantemente do tipo savana, com presença de campos limpos, campos sujos e cerrados; às vezes, é marcante a presença de cactos, notadamente no topo da serra.


Foto : Serra do Ererê

         Geologicamente, a serra é constituída por rochas sedimentares - arenitos - da formação Ererê, pertencente ao período Devoniano, com idade aproximada de 380 milhões de anos.


Foto : Serra do Ererê


         O acesso à serra é efetuado por via rodoviária, através da PA-225 num percurso de 15 km; realizado através de caminhos secundários e ramais, alguns dos quais levando diretamente às grutas.





SERRA DA LUA
Constitui uma parte da serra do Ererê. Na serra da Lua existem magníficos exemplos de pinturas polícromas, a céu-aberto e no interior das grutas. As primeiras pinturas representam uma grande variedade de motivos, reproduzidos geralmente nas cores vermelha e amarela, mais raramente em marrom e branca.


Foto : Serra da Lua


Entre os vários painéis a céu-aberto, destaca-se um grande painel de pinturas rupestre mostrando, entre outros, o desenho de um círculo com cerca de 1 m de diâmetro, apresentando um núcleo amarelo-ocre e uma porção periférica vermelha; esse desenho, que segundo os habitantes da região simboliza a lua, é responsável pela consagrada denominação de serra da Lua. Nesse painel, podem ser observados outros desenhos bastante nítidos, mostrando círculos concêntricos com raios ou caudas, ou simples impressões de mãos, todos em pintura vermelha.



Foto : Serra da Lua
         

          Esse painel está localizado em um paredão a cerca de 100 m de desnível em relação à base da serra, sendo acessado através de um caminho bastante íngreme; para quem chega à serra da Lua através da estrada principal, é o primeiro painel a ser visitado.
Outras pinturas rupestres encontradas em painéis a céu-aberto mostram figuras humanas ou de animais, reproduzindo cenas diversas como caçadas, nascimento, etc.


MONÓLITOS DE MONTE ALEGRE

Os monólitos da região de Monte Alegre representam formas rochosas com aparências exóticas, resultantes de um processo de erosão eólica, atuando sobre os arenitos da Formação Ererê. As formas esculpidas lembram figuras que se assemelham a animais ou plantas que, em função dessas semelhanças, receberam denominações que acabaram consagradas pelo uso.








Em Monte Alegre, entre os monólitos mais conhecidos, destacam-se a Pedra da Tartaruga, localizada entre as serras do Ererê e do Paituna, e a Pedra do Cogumelo, no flanco oeste da serra do Paituna. Ambas representam curiosidades geológicas que constituem excelentes atrativos para o turismo contemplativo.


PEDRA DO PILÃO.

Representa uma monumental escultura natural. A Pedra do Pilão é uma das mais belas formas erosivas identificadas na região, resultado de um processo de erosão eólica, atuando sobre os arenitos da formação Ererê. A partir desse mirante natural, é possível uma visão panorâmica de toda a região, destacando-se ao sul, o esplendor da área de várzea, com seus inúmeros lagos e, ao fundo, o rio Amazonas.


Foto : Pedra Pilão
         
Às proximidades da Pedra do Pilão, na encosta da serra do Paituna, existe um grande painel com magnífico exemplo de arte rupestre de M. Alegre. Esse painel apresenta uma grande variedade de desenhos e figuras geométricas, com destaque para um conjunto de quadrados que se interceptam, lembrando um calendário do tempo.


CACHOEIRAS DE MONTE ALEGRE

No município de Monte Alegre há dezenas de cachoeiras na bacia do Maecuru, em áreas de difícil acesso, sem ligação por via rodoviária.



As cachoeiras Muira e Pancada Grande, localizadas no baixo-médio curso, podem ser acessadas com relativa facilidade por vias fluvial e terrestre. Na região da serra do Itauajuri há duas cachoeiras bastante conhecidas na região, com acesso relativamente fácil, que são as cachoeiras do Açu das Pedras e do Igarapé Anai.







A mais conhecida cachoeira de toda a região é a cachoeira do Paraíso, localizada no vale homônimo, podendo ser considerada como produto eco-turístico, uma vez que o local já dispõe de uma incipiente infraestrutura, sendo visitado todos os anos por inúmeros turistas brasileiros e estrangeiros.









Economia


A economia de Monte Alegre se concentra na pecuária, extração de pedras para construção, produção de cal, pesca e agricultura.




PIB per capita – 10.925,13 - (2015)

Percentual de receitas oriundas de fontes externas – 85,8% - (2015)

Índice de desenvolvimento humano municipal (IDHM) – 0.589 - (2010)

Total de receitas realizadas – 123.780,00 R$(x1000) - (2017)

Total de despesas empenhadas – 126.786,00(x1000) – (2017)











CLIMA


Os dados sobre clima são respaldados pela estação pluviométrica mais próxima de Taperinha (Santarém), a 80 Km da sede de Monte Alegre.
Apresenta clima tipo Am, da classificação de Kôppen, com média mensal de temperatura mínima superior a 18ºC, estação seca de pouca duração, umidade elevada, amplitude térmica inferior a 5ºC, e disponibilidade de água no solo. As precipitações pluviométricas, com cerca de 1.969mm, apresentam distribuição irregular durante o ano. A estação mais chuvosa é a que vai de dezembro a junho, sendo março o mês mais chuvoso. A estação menos chuvosa é a que vai de julho a dezembro e apresenta totais mensais inferiores a 60mm.
O período de excesso de água no solo vai de fevereiro a julho. Neste último mês, chega a apresentar 217 mm. Já em setembro, o mês mais deficiente, apresenta 84mm.


TEMPERATURAS E PRECIPITAÇÕES MÉDIAS // CLIMA EM MONTE ALEGRE

12 mm é a precipitação do mês Outubro, que é o mês mais seco. Apresentando uma média de 183 mm, o mês de abril é o mês de maior precipitação.



                                                                             Pesquisa e texto por Allan Snolden





Referências de dados colhidos sobre o município de Monte Alegre :
https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pa/monte-alegre/panorama - Aspectos econômicos, geográficos e populacionais da cidade.
http://montealegre.freevar.com/index.html  - Informações sobre os pontos turísticos, sendo eles, cachoeiras, cavernas, histórico, mirantes, monólitos.
Dados Estatísticos da cidade cedidos pelo Governo do Estado para o ICPET.


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